ITGP 2026: transparência pública em 13 municípios do Rio de Janeiro atinge o melhor resultado em três anos

Média regional chega a 73,2 pontos e seis cidades alcançam o nível Ótimo pela primeira vez 

Descobrir quanto a prefeitura da sua cidade gastou este mês, ou se existe uma obra pública parada na sua rua, não deveria depender de sorte. Deveria estar disponível, organizado e fácil de encontrar. É essa a pergunta que o Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) responde, e a edição de 2026 mostra um avanço consistente no Rio de Janeiro. 

A metodologia é da Transparência Internacional – Brasil, com apoio financeiro da União Europeia e da Embaixada da Noruega. No estado do Rio de Janeiro, quem aplica a avaliação nos 13 municípios monitorados é o Instituto de Direito Coletivo (IDC). 

O terceiro ciclo consecutivo 

Este é o terceiro ano seguido em que o IDC avalia a transparência das prefeituras fluminenses, e a evolução acompanha um caminho ascendente. Em 2024, a média da região era de 51,01 pontos, faixa Regular, sem nenhum município no nível Ótimo. Em 2025, a média subiu para 63,52, e Rio de Janeiro se tornou a primeira cidade do estado a alcançar o nível máximo. Em 2026, a média chega a 73,2 pontos, ainda na faixa Bom, mas agora com seis municípios em Ótimo: Rio de Janeiro, Búzios, Quatis, Rio das Ostras, Petrópolis e Macaé. 

A distribuição completa de 2026 fica assim: seis municípios em Ótimo, três em Bom e quatro em Regular. Nenhum município está nas faixas Ruim ou Péssimo, situação que não se repetia desde o início do ciclo. 

Quem avançou, quem ainda precisa avançar 

Búzios teve o salto mais expressivo do ciclo, saindo da faixa Regular para o segundo lugar geral, com 92,07 pontos. Teresópolis e Araruama, por outro lado, tiveram queda na pontuação em relação a 2025, o que reforça que o avanço da região não é uniforme e cada prefeitura segue seu próprio ritmo, para melhor ou para pior. 

Araruama fecha o ranking de 2026 com 45,62 pontos, faixa Regular. É o mesmo município que também aparece no fim da fila em Obras Públicas, dimensão em que a nota mais baixa da região, 4,55, aponta para a ausência quase completa de informações sobre onde e como o dinheiro público está sendo investido em construções e infraestrutura. 

Obras Públicas segue como o maior desafio regional 

Entre as seis dimensões avaliadas (Legal, Plataformas, Administrativo e Governança, Obras Públicas, Transparência Financeira e Orçamentária, e Comunicação, Engajamento e Participação), Obras Públicas segue sendo a mais frágil em quase toda a região, com média de 56,99 pontos. É a única dimensão em que a maioria dos municípios avaliados ainda não chega à faixa Bom. 

Isso significa, na prática, que mesmo prefeituras bem avaliadas em outras frentes, como plataformas digitais ou legislação, ainda falham em informar à população onde as obras públicas estão sendo executadas, com que verba, e em que prazo. Para o cidadão, essa lacuna se traduz em algo concreto: a dificuldade de acompanhar, por exemplo, aquela obra parada na esquina de casa. 

O que o índice não avalia, e por que isso importa 

O ITGP não mede a qualidade da gestão pública, nem se os serviços oferecidos por uma prefeitura são bons ou ruins. O índice avalia exclusivamente se a informação sobre a atuação do governo está disponível, organizada e acessível ao cidadão. Uma prefeitura pode ter uma boa gestão e, ainda assim, pontuar mal se não divulgar essa gestão de forma transparente. E o oposto também é possível. 

Essa distinção importa porque o ranking não é um veredito sobre qual prefeitura trabalha melhor. É um retrato de quanto cada uma delas permite que a população fiscalize seu próprio trabalho. 

O papel do cidadão depois do ranking 

Uma nota de transparência só cumpre sua função se for usada. Com o ranking em mãos, é possível levar os dados para audiências públicas, cobrar vereadores e vereadoras, ou simplesmente exigir, nos canais oficiais da própria prefeitura, que as informações que faltam sejam publicadas. O índice aponta a lacuna, mas quem transforma esse dado em pressão por mudança é a sociedade civil organizada e cada cidadão individualmente. 

O retrato completo da região 

Olhando os 13 municípios lado a lado, o retrato de 2026 mostra uma região que avançou, mas que segue desigual. A distância entre o primeiro e o último colocado no ranking ainda é grande, e cada faixa reunida na tabela representa um patamar diferente de acesso à informação pública para quem vive naquele município. O próximo ciclo do ITGP vai mostrar se essa distância diminui. 

ITGP 2026

Generated by wpDataTables

O ranking completo dos 13 municípios avaliados, com a nota de cada uma das seis dimensões, está disponível https://transparenciainternacional.org.br/itgp/municipal/.

Acompanhe também os desdobramentos desta edição nas redes sociais do IDC. 

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