Projeto Reciclando o Amanhã é homologado no Prêmio FGV de Responsabilidade Social

Quando o trabalho ultrapassa a fronteira do projeto e começa a ser reconhecido por quem avalia o campo, alguma coisa importante aconteceu. 

O projeto Reciclando o Amanhã: Teresópolis, desenvolvido pelo Instituto de Direito Coletivo (IDC) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), foi homologado na 3ª edição do Prêmio FGV de Responsabilidade Social. A prática inscrita foi aprovada na etapa inicial e segue agora para análise da Comissão Avaliadora da Fundação Getulio Vargas. 

A notícia chega após o encerramento do terceiro e último ano de execução do projeto — um ciclo completo de ações em Teresópolis (RJ) que envolveu catadores de materiais recicláveis, escolas públicas estaduais, uma cooperativa local e um conjunto de parceiros institucionais que apostaram na possibilidade real de construir um modelo de gestão de resíduos mais justo e sustentável. 

 

O que é o Prêmio FGV de Responsabilidade Social 

O Prêmio FGV de Responsabilidade Social é uma iniciativa do Fórum Permanente de Responsabilidade Social da Fundação Getulio Vargas voltada a selecionar boas práticas de responsabilidade social que contribuam para a melhoria da qualidade de vida de populações em vulnerabilidade social. Fgv 

Entre os critérios de avaliação estão impacto social, geração de emprego e renda, possibilidade de replicação, inovação, diversidade, equidade e diferenciais das iniciativas. O processo de avaliação é realizado em três etapas, com conselho designado pela própria FGV.  

Chegar à etapa de análise da Comissão Avaliadora já é, por si só, um resultado. A homologação confirma que o projeto cumpriu os requisitos formais e que a prática inscrita atende ao perfil de iniciativas que o prêmio busca reconhecer: ações com resultados comprováveis, metodologia estruturada e potencial de replicação. 

 

O que é o projeto Reciclando o Amanhã 

Iniciado em 2023 em parceria com o Ministério Público do Trabalho, o projeto nasceu de uma pergunta direta: como fortalecer a cadeia da reciclagem em Teresópolis de forma que os próprios catadores saíssem mais organizados, mais reconhecidos e com melhores condições de trabalho? 

A resposta foi construída em três frentes simultâneas. 

A primeira foi o fortalecimento institucional da Cooperativa Fênix, principal organização de catadores de materiais recicláveis do município. O trabalho envolveu apoio à organização administrativa, contábil e fiscal, além de ações de aprimoramento da gestão — porque sem estrutura interna sólida, nenhuma cooperativa consegue crescer de forma sustentável. 

A segunda frente foi a formação e capacitação. Em parceria com a Universidade Estácio de Sá, o projeto viabilizou capacitação profissional para mulheres catadoras no âmbito do Projeto Re.ciclo — uma iniciativa que reconheceu o papel central das mulheres na cadeia da reciclagem e trabalhou ativamente pela sua inclusão produtiva. 

A terceira frente levou o projeto às escolas. Por meio de termo de cooperação com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC/RJ), o Reciclando o Amanhã chegou a 8 escolas estaduais, 33 turmas e 1.139 alunos do ensino médio. As atividades combinaram palestras, oficinas participativas, mapeamento do entorno escolar e instalação de coletores Ecobag nas unidades — com a participação direta da Cooperativa Fênix, que dialogou com os estudantes sobre o impacto social, ambiental e econômico do trabalho dos catadores. 

Ao longo dos três anos, o projeto contribuiu para a coleta de 117.667 kg de materiais recicláveis e gerou um crescimento de 4,5% no faturamento bruto da Cooperativa Fênix — números que traduzem, em parte, o que significa fortalecer uma organização coletiva no território. 

 

Por que esse reconhecimento importa 

Projetos como o Reciclando o Amanhã existem em um campo em que os resultados raramente aparecem em manchetes. O trabalho com catadores, cooperativas e comunidades vulneráveis acontece no cotidiano, na construção lenta de confiança e capacidade institucional, nas reuniões de planejamento com escolas e na articulação entre parceiros que raramente já estão na mesma mesa. 

Quando esse tipo de trabalho é submetido a um processo de avaliação nacional — conduzido por uma instituição da relevância da FGV —, o que está sendo reconhecido não é apenas o projeto em si. É a abordagem: a aposta de que inclusão produtiva de catadores, gestão sustentável de resíduos e educação ambiental pertencem ao mesmo eixo de direitos coletivos. 

Para o IDC, esse reconhecimento é também um incentivo a continuar investindo nessa articulação. O Reciclando o Amanhã concluiu seu ciclo em Teresópolis, mas a metodologia construída ao longo desses três anos — envolvendo MPT, universidade, secretaria estadual de educação, cooperativa local e comunidade escolar — é uma referência que pode ser replicada em outros territórios e com outros parceiros. 

 

O que vem a seguir 

A Comissão Avaliadora da FGV analisará agora todas as práticas homologadas. Os finalistas e vencedores serão anunciados em momento oportuno, conforme informado pela Coordenação do Prêmio. 

Independentemente do resultado final, a participação no Prêmio FGV de Responsabilidade Social representa mais um passo na trajetória do IDC de tornar visível o que o direito coletivo significa na prática: não apenas normas e processos, mas pessoas, territórios e comunidades com condições reais de exercer seus direitos. 

Acompanhe os canais do IDC para saber o resultado quando for anunciado. 

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