
A campanha pública lançada pelo Instituto de Direito Coletivo (IDC) em agosto de 2025, “Não é só plástico — é rejeito, é injustiça!”, acaba de alcançar um marco importante: foi destaque na Revista Veja, uma das maiores publicações jornalísticas do país.
A matéria, assinada pelo jornalista Lucas Mathias e publicada em 22 de agosto, traz à tona dados da pesquisa Catadores por Menos Plástico, realizada pelo IDC em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), e reforça o alerta: a maior parte dos rejeitos que chegam às cooperativas de catadores no estado do Rio de Janeiro são plásticos que não podem ser reciclados.
Segundo o levantamento, 64% dos rejeitos triados pelas cooperativas eram embalagens plásticas sem reciclabilidade real. Mesmo descartados corretamente pelos consumidores, esses materiais não são reaproveitados e acabam em aterros, lixões ou no meio ambiente.
Reconhecimento e validação pública
A repercussão na Veja é um reconhecimento da seriedade da pesquisa e da urgência do tema. A matéria aponta que, ao contrário do que sugere o marketing das embalagens, muitos plásticos são tecnicamente ou economicamente inviáveis para reciclagem — e quem paga por isso são os catadores e o meio ambiente.
A publicação reforça ainda o papel do IDC na formulação de soluções concretas. A partir dos dados da pesquisa, o Instituto articulou com o deputado estadual Carlos Minc a apresentação do Projeto de Lei 5392/2025, atualmente em tramitação na Alerj.
Do dado à política pública: o que prevê o PL 5392/2025
O projeto de lei propõe medidas estruturantes para enfrentar o problema dos plásticos não recicláveis no estado do Rio de Janeiro:
Estabelece que embalagens comercializadas no estado sejam 100% recicláveis e contenham rotulagem adequada;
Garante remuneração direta às cooperativas de catadores pelos serviços ambientais prestados (triagem, coleta, educação ambiental);
Define o prazo de cinco anos para o banimento de plásticos não recicláveis do mercado fluminense.
É um passo importante rumo a uma cadeia de reciclagem mais justa, eficiente e transparente.
Por que a campanha importa
A campanha “Não é só plástico — é rejeito, é injustiça!” parte de uma constatação simples: a reciclabilidade alegada pelas embalagens muitas vezes não se concretiza. Há um abismo entre o que se rotula como “reciclável” e o que realmente é reciclado.
As consequências dessa desconexão são múltiplas:
Para os catadores:
Perda de tempo e renda com materiais sem valor de mercado;
Falta de reconhecimento pelo trabalho essencial que realizam;
Invisibilidade na formulação de políticas públicas.
Para o meio ambiente:
Acúmulo de resíduos plásticos que não têm destino adequado;
Poluição do solo, dos rios e dos oceanos;
Emissão de gases de efeito estufa com a incineração de rejeitos.
Para a sociedade:
Falsa sensação de que “reciclar é suficiente”;
Greenwashing por parte das empresas;
Ausência de responsabilização dos grandes geradores de resíduos.
Próximos passos: como apoiar
O IDC convida toda a sociedade a se engajar nessa agenda urgente. Para fortalecer a campanha e contribuir com a tramitação do PL 5392/2025, é possível:
Compartilhar os conteúdos educativos da campanha nas redes sociais;
Cobrar posicionamento de marcas e empresas quanto à reciclabilidade real de suas embalagens;
Apoiar o projeto de lei junto a parlamentares do Rio de Janeiro;
Valorizar e apoiar cooperativas e catadores da sua região.
Leia a matéria completa
Acesse a reportagem da Revista Veja para entender por que esse debate precisa sair das embalagens e ir direto para a política pública: